Skank: porque a banda da minha vida não acabou

Eu estou rascunhando esse post/desabafo desde que recebi a notícia do fim da banda. Pra ser honesta, dia desses, meu TimeHop me relembrou o momento abaixo.

Essa sou eu. 10 anos atrás. Junto com a minha companheira de aventuras, engenheira-jornalista favorita, Skankarada inseparável, Ísis (aliás, beijo, meu bem!). A gente estava no aeroporto, esperando por eles, pra depois ir ver mais um show. Era só mais um dia de fã, um dia totalmente dedicado ao Skank.

Isso significa que, 10 anos atrás, o Skank já estava na minha vida. 

Adicione a isso mais uns 10, 12, 15 anos. 

Eu sei que não pareço a mesma pessoa, mas esse registro é do meu primeiro encontro e foto com os quatro garotos do Skank (e com a Rê, outra amiga Skankarada incrível)

Muitos shows. Muitas fotos. Muitos amigos. Eu disse MUITOS AMIGOS.

Mil acasos nas canções que eles fizeram pra mim sem saber. 

Milhares de amores imperfeitos, que são mesmo as flores da estação. 

Teve até uma tatuagem do tempo. Que veio hoje me encontrar e me falar de uma chance. 

Desde que conheço o Skank, eles já foram a banda distante da qual eu conhecia umas 5 músicas. Viraram a banda favorita. A banda das músicas sem farsa, conchavo, sem guerra. A banda da in(dig)nação. Os meninos da Capricho. A galera que me fazia ir até a lan-house pra falar com os outros Skankarados do Yahoo Grupos! (Saudades Oficial Skank!). 

Aí, do nada, saiu no jornal que o Skank acabou. Chegou ao fim. Turnê de despedida. Depois de 30 anos de carreira. 

Acabou? Desculpa, gente, não acabou nada. 

Da primeira vez que fui um pontinho verde na grade de um show do Skank (junto com mais de 100 outros pontos verdes, em uma ação organizada pelo fã-clube que administrei durante anos, para levar fãs de todo o Brasil para ver o Skank no Mineirão assim, de pertinho!)

A banda não estará mais junta pra fazer música nova (se bem que anunciaram que a turnê de despedida talvez tenha música inédita). O Skank não estará mais lá para tocar shows novos. Para incluir novos discos na discografia que eu sei de trás pra frente (incluíndo até o nome das faixas na ordem e, para alguns discos, quantos minutos cada faixa tem).

Mas é isto. O Skank nunca vai acabar, isto é improvável, impossível. 

Mais uma imagem que entrega o nível de retardamento / a idade / o amor por Skank

Como acaba a banda que me trouxe algumas das lembranças mais lindas da minha juventude?

Como acaba o grupo que fez a trilha sonora da minha vida?

Como acaba os naipes de metais embalando as minhas histórias?

Como finda os milhares de papos em que eu saí, uma vez mais, vitoriosa, sendo a louca que sabe a faixa em que está registrada a Saideira, em que ano foi lançada e quantos minutos tem? (Faixa 11 do Siderado, 1998, Sam e Rodrigo Leão, 3:58 e eu não Googlei!). Isso não acaba, gente! 

O Skank continua no meu coração (É o seu! Seu coração é o meu!). 

No campo, em Minas, terras gerais ou qualquer lugar. 

O Skank é a banda que me fez ouvir e prestar atenção no rock nacional. Que me fez buscar outras bandas e influências do Brasil e de fora do país. Que me fez ter interesse por música. 

O Skank é a banda que me deu a oportunidade de olhar para o Jornalismo como uma opção de carreira. De pensar em Jornalismo Musical como um norte. Que me iniciou em uma jornada que, apesar de ter tomado um rumo muito diferente, ainda é uma das partes mais interessantes da minha carreira e da qual eu tenho muito orgulho.

O Skank me deu mil amigos. Um fã clube pra administrar. Um monte de histórias loucas e incríveis (como esse dia do aeroporto). A gente recebeu a informação confidencial, não era pra ninguém saber. Aí entramos no carro, fomos pro aeroporto no horário q o voo pousava e o Henrique Portugal amou tanto minha camiseta q publicou uma foto dela no Twitter dele. Pronto. O mundo todo sabia que a gente tava lá (até porque, olha o meu cabelo, gente?). Caramba mano, que coisa!.  

Sim, esse pontinho verde no canto direito da imagem (bem na frente da faixa do fã clube) sou eu em uma das milhares de vezes em que estive em uma grade de show do Skank.

Vocês acham mesmo que é possível que a banda sobre a qual eu escrevi a minha primeira resenha de disco tenha acabado? Que a banda dos caras que me deram amigos que seguraram as minhas mãos nos momentos mais difíceis da minha vida tenha terminado? Que a banda dos senhores que comemoraram a minha viagem pro exterior em um encontro num camarim e autografaram, sem errar meu nome (esse é um desafio, hein?), um dos meus livros de cabeceira antes de eu me mudar tenha tido um ponto final?

Desculpa. Não mesmo. 

Olha o livro autografado aí. Só faltou o autográfo do Fernando, mas esse vai ser um pouco mais difícil…

Eu estou muito feliz pelo fim do Skank. Tudo bem esclarecido, caminhos trilhados, novos rumos pra cada integrante. Também acho que cada um deles merece e precisa se desafiar, trilhar novos caminhos, fazer o que quiser da própria vida. Eles já nos deram muito.

Se eu acho que essa história acabou? De jeito nenhum. 

Se eu fiz amigos por causa de Skank? Sim, vários!

Tudo o que eu vivi nos últimos 27 anos da minha vida não acabou nem acaba. 

É memória que fica, que voa, que transborda. 

E é agradecimento que não tem fim. 

Samuel, Henrique, Lelo, Haroldo, FF, Chico Amaral, Nathalia, Doca, Aristides, Paulinho, Vinicius, Milke, Felipe, Sandro, Leandro… é tanta gente que nem seria justo tentar mencionar todo mundo. Todos os fãs do Oficial Skank, do Skankarados, do Los Skankeiros, do Skanbelô, do Sutilmente Skank, a galera das outras listas do Yahoo! Grupos, das comunidades do Orkut, dos chats no MSN, o pessoal que permaneceu e acompanhou o Skankarados no Blogspot, no WordPress, quando a gente teve site, quando deixou de ter… Todo mundo que lembra de mim a cada vez que ouve uma canção de amor dançante (ou qualquer música do Skank mesmo, se você não pegou a referência), obrigada. Um pedaço importante demais da minha vida aconteceu por causa de vocês. E é incrível demais ter sido parte dessa história. 

Obrigada Skank! De verdade!

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