Um mestrado na Irlanda – Conta pra gente como foi?

Eu já recebi essa mesma pergunta um milhão de vezes.

Tá bom. Não foi bem um milhão. Mas foram muitas, muitas vezes mesmo, sabe? Perdi a conta até. Então eu acho que passou da hora de contar pra todo mundo como é que foi que essa experiência aconteceu.

Esse texto vai focar nas principais perguntas que eu recebi do público brasileiro que me segue pelas redes sociais e que de alguma forma ficou sabendo que eu fiz mestrado em Dublin, na Irlanda. Se você quiser saber o que os gringos perguntam, teremos uma versão em inglês por aqui em alguns dias, e aí eu coloco o link aqui. Não vai ser uma simples tradução, e sim outro conteúdo com base em perguntas específicas também que os gringos fazem. Ah, e se faltou eu mencionar alguma coisa, por favor, me manda um e-mail no me@rakkycurvelo.com que eu respondo / incluo aqui, pode ser?

Os primeiros passos para estudar no exterior – COMEÇANDO DO COMEÇO

Esse dia. Tudo valeu a pena!

1 – Como foi que você decidiu que precisava fazer um mestrado no exterior?
Eu acho que a primeira decisão foi a de fazer uma pós-graduação / mestrado. Aí a ideia foi evoluíndo, porque eu tinha interesse em várias áreas diferentes que não necessariamente fazem parte de uma mesma especialização em cursos brasileiros. Mas depois que fiz um mochilão pela Europa e me apaixonei perdidamente por Dublin foi que decisão começou de fato a tomar forma. Não era necessariamente um mestrado no exterior: era um mestrado o mais perto possível da Irlanda, na Irlanda se possível, em Dublin se melhor ainda. E não é que deu certo?

2 – Quais foram seus primeiros passos?
JUNTAR DINHEIRO. Sim, esse foi o primeiro passo desde antes de eu decidir que queria sair do país para estudar. Então quando a ideia da pós graduação começou a tomar forma, as baladinhas começaram a diminuir, junto com os almoços fora e as brusinha nova no guarda-roupa. Assim que a decisão de sair do Brasil tomou forma, bem, rever e estudar inglês também começaram a fazer parte da rotina. Escolhido o curso, comecei a pesquisar todo o possível sobre a área, possíveis desenvolvimentos de carreira, a cidade, a faculdade, as opções.

É sério, como não se apaixonar?

3 – Porque Dublin? Porque a Irlanda?
Eu amo Dublin. Eu amo a Irlanda. Me apaixonei por esse lugar em um mochilão que fiz pela Europa, passando por aqui por dois dias. A fixação ficou na minha cabeça por tempo o suficiente para me convencer de que era aqui que eu precisava morar (e eu orgulhosamente escrevo essas palavras de dentro da minha casinha, em um bairro de Dublin que é a coisa mais fofa!). Eu já escrevi por aqui muitas das minhas razões para amar Dublin (em inglês), mas entre elas estão o fato de que é um lugar muito seguro, as pessoas são muito legais, prestativas e felizes, tem muitas coisas bacanas para fazer e lugares incríveis para conhecer, você consegue fazer tudo de bicicleta, com segurança e praticidade, é uma cidade caminhando para o lado sustentável cada vez mais fortemente e algumas das minhas comidas e bebidas favoritas são daqui. Enfim: eu amo! Se apaixone você também!

4 – Qual o valor do investimento?
Isso depende muito do que você quer fazer. O meu curso foi o Msc in Applied Digital Media da Griffith College, então, na minha época eu investi € 11.500 só nele (sim, já deu uma boa aumentada nesse preço!). Eu também recomendo que você, se estiver saindo do Brasil direto para fazer o curso aqui, venha com dinheiro o suficiente para passar pelo menos os seus seis primeiros meses por aqui, até você encontrar um trabalho. Na minha época, eu vim com dinheiro para três a quatro meses (gastando €600/€650 por mês) e foi bem apertado (mas deu certo!).

Considerando acomodação – não tente morar no centro no começo, alimentação, alguns rolês com a galera porque ninguém é de ferro e transporte, se você não morar no centro, é possível morar em Dublin com €750/800 por mês. Então, digamos que você queria vir com folga: são €14k para o mestrado e mais €6k para os seus primeiros meses por aqui: €20.000. Na cotação de hoje, R$ 94.386. Eu sei. Não tá fácil mesmo, principamente agora. Eu sei que tem meses que a conta não fecha para pagar todas as contas e ainda guardar dinheiro. Mas há alternativas! Bolsas de estudo (eu vou deixar esse link aqui só para te inspirar, e esse aqui também),

mas a dica geral é:

Mestrado no Exterior: SE ORGANIZA, RAPÁ!

Griffith College, vista da entrada da Biblioteca.

5 – O que você precisa de documentação para se candidatar a um mestrado?
Em primeiro lugar, você precisa provar que tem o nível de inglês necessário para se candidatar ao curso, passar e de fato estudar na faculdade. Cada faculdade exige uma certificação específica para isso e você precisa verificar qual certificação é pedida pela faculdade que você escolheu. A prova que eu fiz foi o IELTS e você pode verificar aqui os lugares que aplicam a prova no Brasil, assim como os preços e tipos de prova. As faculdades e universidades irlandesas geralmente pedem o Academic English test. Sim, a taxa não é nada amigável também.

No caso do mestrado, você também vai precisar da tradução juramentada do seu diploma da faculdade (para que a sua faculdade/universidade consiga comprovar que você tem o conhecimento técnico/acadêmico necessário para participar do curso escolhido), uma tradução simples do seu histórico escolar (aquele do Ensino Fundamental / Médio, não precisa ser juramentada essa aqui não), o seu currículo em inglês, cópia do seu passaporte e uma lista de documentos pessoais que também varia de faculdade para faculdade.

Pouco tempo para dormir, muita coisa para fazer. Vida de laboratório / sala de estudo.

6 – Você teve ajuda de alguma agência? Recomenda algum serviço?
Se você quiser, é possível embarcar nessa jornada sozinho (a) e o processo não é muito complicado. Mas se você precisar de alguma assessoria tanto para te ajudar a organizar o dinheiro (fazendo pagamentos parcelados), os documentos e os processos, ou ainda só para a garantia de que algo tão importante que você vai fazer da sua vida vai ter o suporte de alguém de confiança, é bom ter uma agência de intercâmbios com você. Na minha época, a Vital Intercâmbios me ajudou e eu tenho muito orgulho de dizer que fui uma das primeiras clientes de mestrado deles, porque praticamente os convenci de que eles precisavam me ajudar! =D

7 – Como você fez para juntar dinheiro?
Eu vendi tudo o que eu tinha (de móveis a roupas), peguei o dinheiro do meu FGTS, mudei de apartamento (morava sozinha e passei a dividir apartamento com outras três mulheres), reduzi a quantidade de vezes em que usava transporte público durante a semana (me mudei para um lugar em que eu conseguia ir a pé para o trabalho), reduzi as saídas de final de semana, comecei a pesquisar supermercado e a comprar mais em feiras. Junte todas as dicas de finanças que você já ouviu na sua vida e coloque elas num liquidificador: bate tudo e joga esse suco bem na minha cara – FOI ISSO QUE EU FIZ. Cada pessoa é um mundo (como diria minha mãe!) e o seu jeito de organizar as suas finanças vai depender da sua vida, das suas necessidades e das urgências ao seu redor. Então, a dica aqui também é aproveitar a jornada: se dê metas e se presenteie a cada nova vitória. Se for só sofrimento e privação, nada na vida vale a pena.

8 – Como você encontrou o curso / faculdade certa?
Eu acho que eu comecei a buscar coisas diferentes em áreas diferentes. Eu sempre tive um interesse meio escondido por programação e linguagens de computador (quem se lembra de mim da época da faculdade de Sistemas de Informação / meu apelido de tela azul sabe bem do que eu estou falando). Eu sabia que queria estudar isso. Também sabia que não queria deixar Comunicação de lado e que precisava ver um pouco de Marketing talvez. E sabia que eu queria ter mais noção de Design Gráfico. Comecei a procurar grades de cursos nessas áreas, de forma separada. Até que algum dia eu tive a ideia maluca de tentar achar tudo junto. E foi amor à primeira vista!

Morando em Dublin, na Irlanda: MUITO MAIS QUE BONO VOX, BATATA E GUINNESS

Um dia de sol e uma volta de bike

9 – Morar em Dublin. Como faz?
A temperatura mais alta que eu já vi nesse lugar foi de 25°. No Verão. Em uma raríssima ocasião. Dito isto, este país é geralmente frio. A média de temperatura é de 8° a 12° durante todo o ano. O inverno pode ser bastante intenso e tempestades de vento são parte do dia a dia (a gente aprende a olhar a previsão do tempo todos os dias, antes mesmo de olhar para a janela). Eu já vi neve aqui (mais de uma vez) e temperaturas abaixo de 5° são bem comuns. Eu já disse que é frio?

Também estamos enfrentando uma crise gigantesca de habitação. Dublin em si tem muito mais gente do que casa/apartamento, o que faz com que os preços fiquem bem altos. Existem locadores que se aproveitam da situação e acomodam estudantes em locais que não oferecem estrutura suficiente, cobrando preços absurdos. Álcool, de uma maneira geral, custa mais caro aqui do que em diversos outros países da Europa. Pronto, esses são os pontos negativos.

A primeira vez em que eu vi neve foi aqui!

Dublin é uma cidade bem segura, plana na maioria dos locais, pequena o suficiente para te permitir fazer muito ou quase tudo andando e grande o suficiente para você não ficar entediado. Tem parques, museus, igrejas e galerias de arte para visitar, em sua maioria gratuitos ou com preços bem acessíveis, tem restaurantes com cozinhas do mundo inteiro para você apreciar, tem os mais diferentes tipos de pub, bares e baladas para todos os gostos, um comércio que aprecia produtos locais e mercearias suficientes com produtos importados de todos os cantos do mundo, música nas principais ruas e avenidas, ciclofaixas que ainda não estão espalhadas pela cidade inteira, mas que onde passam são respeitadas pelos motoristas e a melhor/mais famosa cerveja do mundo é daqui e é mais saborosa aqui: e é claro que eu estou falando da Guinness. Acho que os pontos positivos superam – e muito – os pontos negativos.

Esse pôr do sol maravilhoso é Dublin também!

O que é que a Griffith tem?

10 – O que a Griffith College oferece?
Uma equipe incrível. Desde meus primeiros contatos, por e-mail com o Escritório Internacional (eles têm uma área específica para cuidar dos estudantes estrangeiros) já foi tudo super bem esclarecido. Todas as pessoas com quem eu interagi no processo de decidir o curso, forma de pagamento, data de início do curso, enfim, toda a parte administrativa foi brilhante. A estrutura do colégio em Dublin também é fantástica. A biblioteca oferece todos os livros, papers, revistas, jornais e arquivos on-line que você precisar, além de acesso exclusivo a catálogos com cursos para a sua área e assinaturas para treinamento e capacitação. Os laboratórios oferecem computadores com os softwares que você precisar (para as diferentes especializações) e, no caso do meu curso, estúdio para produção de vídeo / foto, câmeras, microfones, tripés, todo o equipamento necessário para gravação e edição. Lanchonete, cantina, várias áreas de lazer e salas de estudo. Profissionais apaixonados pelo que fazem e extremamente capacitados para ensinar em suas áreas (a grande maioria dos meus professores – só tenho uma exceção, de fato) me surpreendeu positivamente pelo conhecimento da área / capacitação e técnicas de ensino. E depois que você se forma, você ainda começa a fazer parte de uma rede de ex-alunos que pode te conectar a oportunidades de emprego, entrevistas, palestras e outras atividades relacionadas com a sua área.

Namore alguém que te olhe como eu olho para a Linh posando com meu capacete para uma foto aleatória no laboratório de Multimedia Programming enquanto o Ruaíri não chega

11 – Mídia Digital Aplicada. É de comer?
Não, mas é um curso que mistura linguagens de programação (bastante!), design gráfico, comunicação social e mídias digitais. Eu tive aulas de HTML, CSS, JavaScript, C#, PHP, MySQL, produção de vídeo, produção de áudio (podcast), comunicação visual, mídia digital e sociedade, metodologia de pesquisa, desenvolvimento de jogos e mais. O curso é bem espalhado em diversas áreas e te dá conhecimento suficiente para explorar diversas áreas, de acordo com o seu interesse. Também te dá um entendimento interessante do mercado publicitário e de marketing Irlandês e Europeu, e te prepara para diferentes áreas dentro desse mercado.

12 – Tem que ter experiência em linguagem de programação pra fazer esse curso?
Não. As primeiras aulas começam no básico do básico. Dito isto, as coisas não vão ficar no básico para sempre e a evolução também é esperada por parte do aluno. Como o curso de mestrado é de apenas um ano, é recomendado complementar o estudo de sala de aula com treino (o que explica o fato de que a grande maioria dos meus colegas de classe era sempre vista na biblioteca/áreas de estudo pós aula. Principalmente às segundas-feiras, depois da aula de Server Side Web… =D)

13 – É um curso bom pra quem quer focar em Marketing Digital?
Também não. As aulas de Digital Media e Sociedade e Negócios de Mídia Digital têm inserções de Marketing e de Digital Marketing, mas se você está pensando em um curso que te dê o bê-a-bá de Marketing Digital, não é este curso.

Um registro do meu documentário sendo exibido (assistido e admirado) em uma exposição organizada pela faculdade

14 – Como é o mercado de trabalho para a área em Dublin?
Quer você decida virar programador front-end (ou back-end), designer gráfico, criador de conteúdo, video-documentarista ou esteja querendo dar um upgrade no seu currículo para a área de Comunicação / Mídias Digitais, há vagas. O mercado por aqui funciona de um jeito um pouco mais intenso, e um bom perfil no LinkedIn pode te render aquela entrevista de emprego que o seu currículo em PDF não está conseguindo. Então sim, existe mercado, é concorrido, mas você tem chances. Vamos?

Eu acho que respondi a grande maioria das perguntas e que consegui colocar aqui um pouco da história do meu mestrado na Irlanda. E aí, gostou? Deixa o seu comentário e me conta se eu consegui responder a todas as suas dúvidas ou me manda uma mensagem / e-mail me contando se eu esqueci de alguma coisa! Espero ter ajudado!

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