Cinco coisas que ninguém te contou sobre ser bilíngue trabalhando no exterior

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Como vocês sabem, eu sou brasileira. Também trabalho como Especialista em Mídias Sociais na Irlanda, como funcionária de uma empresa muito legal, que me permite não apenas fazer meu trabalho, mas também aprender muitas coisas novas com meus colegas, clientes e gestores. Dito isto, estou prestes a compartilhar algumas coisas com as quais não apenas a comunidade brasileira pode se relacionar, mas também a maioria dos meus colegas internacionais. Esses são cinco pequenos truques, segredos, mistérios de ser um profissional bilíngue que a maioria das pessoas não conta, não conhece ou não compartilha. E posso dizer que, se não facilitarem sua vida, pelo menos vão te fazer dar uma boa risada.

1 – Você aprende. Muito. Todos os dias: por mais fluente que você seja em um idioma, todos os dias rola uma nova chance de aprender. O jargão local de colegas de trabalho nascidos em cidades diferentes, expressões populares de uma série ou de um programa de TV que você não conhece, palavras com um significado totalmente diferente devido a contexto ou falta dele e até o nome daquele fantástico saco de cookies que um colega gentil deixou na cozinha para a galera dividir, tudo está lá para ser absorvido. Você sente que é uma esponjinha todos os dias, recebendo todas essas novas palavras, significados, contextos. É fantástico!

2 – As pessoas pensam que você é melhor do que pensa: como alguém que trabalhou muito criando conteúdo, estou sempre preocupada com as palavras que vão da ponta dos meus dedos pro teclado. Escrever em inglês é definitivamente uma dose dupla de paranóia na cabeça. E se eu esquecer um artigo? E se as pessoas não conseguirem entender o que estou tentando dizer? Como posso ter certeza de que não estou incomodando meus colegas com as revisões que peço pra galera fazer? Um dia, morrendo por dentro com meus monstros internos, pedi pra um colega para revisar um post de blog e achei a resposta. Ele revisou o que eu escrevi em alguns minutos e foi até a minha mesa para mostrar duas sugestões que tinha feito. Enquanto eu tentava encontrar palavras para dizer que lamentava incomodá-lo, ele simplesmente virou para mim e disse: “Não se preocupe, tá tudo bem. Eu não sei como dizer ou escrever uma única palavra em português”. Acredite, isso é verdade para quase todos os casos: é você quem se julga mais e com as piores lentes possíveis. Às vezes, você só precisa relaxar.

3 – Você nunca será tão engraçado quanto em seu próprio idioma: quem nunca passou pela situação em que você estava lá, conversando durante o almoço, rindo alto quando se lembrou de que tinha a tirada perfeita para aquele momento , mas, poxa, que droga, é no seu próprio idioma? Quão frustrante pode ser rir por dentro imaginando como as pessoas iam rir também se você pudesse fazê-las entender o contexto disso na sua língua materna? Bem, só posso dizer que eu compartilho diariamente dessa dor. E não há rota de fuga. Mas você também pode ser engraçado em um ou mais idiomas. Requer apenas um pouco mais de prática.

4 – Sua fraqueza é o que o torna mais forte. Mas você precisa usá-la: como profissional, sempre tive a tendência de tentar aprender mais coisas. Por muito tempo, minha abordagem era tentar fazer tudo sozinha, ficar presa às coisas, tentar encontrar respostas e nunca pedir ajuda às pessoas, para não parecer fraca. O problema é justamente esse: eu estava me enfraquecendo para não parecer fraca, porque isso estava me impedindo de aprender. Não dá pra enfatizar o suficiente como isso pode se tornar seu pior inimigo em um ambiente internacional, principalmente porque você sempre terá um ou outro processo ao qual ainda não está familiarizado. Portanto, antes que eu fique óbvio demais: peça ajuda. Vai, corre!

5 – Você se tornará fluente. Em esquecer dois ou mais idiomas ao mesmo tempo: lembra-se daquela época gloriosa em que você digitava tudo certinho, o tempo todo, ainda que fosse no ZapZap? Aqueles momentos em que você julgava as pessoas por dizerem coisas como “vc”, “tamos” e “PQP”? Isso não te pertence mais! De verdade, no final de cada dia de trabalho, você se sentirá tão satisfeita (o) com o seu novo vocabulário incorporado, que vai abreviar e escrever errado na sua língua tudo e mais um pouco enquanto tenta guardar o idioma exterior na cabeça. Conversas sobre o nome de alguma coisa ou objeto que você não lembra nem na segunda língua nem na língua nativa também se tornarão comuns. Aceita que dói menos.

Esses tópicos são todos reais e baseados na minha experiência desde que cheguei à Irlanda. E você? Como você se sente sendo bilíngue ou multilíngue? Quais são as vantagens mais bacanas disso? E os seus desafios?

Deixe-me conhecer um pouco da sua história na área de comentários ou envie-me uma mensagem! Adorarei aprender um pouco mais com você e como você descobriu este blog!

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  1. Pingback: Five things no one told you about being bilingual at the workspace – Rakky Curvelo

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